Pequeno e muito especial, o Nepal é um país de história, cultura e tradição muito diferentes do Brasil. Por isso, conhecê-lo é uma boa surpresa, que agrega ao conhecimento de vida e espiritualidade das pessoas. Veja a seguir algumas curiosidades sobre o país.
1. O país possui 3 calendários diferentes

No Nepal, são usados o calendário solar, o calendário lunar e o calendário nacional.
Calendário Solar (Bikram Sambat) – é baseado no ciclo solar. Ele segue um sistema de 12 meses com base no movimento do sol. Cada mês é chamado de “mas” e possui uma duração variável. O primeiro mês do ano nepalês é Baisakh, correspondendo aproximadamente de meados de abril a meados de maio no calendário gregoriano. O calendário solar é comumente usado no dia a dia para transações comerciais e atividades sociais.
Calendário Lunar (Vikram Samvat) – é baseado no ciclo lunar. É usado principalmente para fins religiosos e festivais. Esse calendário é um sistema de 12 ou 13 meses, dependendo dos anos bissextos. Cada mês começa no dia da lua nova e tem uma duração variável.
Calendário Nacional (Sambidhan Sambat) – é um calendário oficial usado para fins administrativos e governamentais, introduzido em 1958. O ano novo nepalês, chamado de “Naya Barsha”, começa no dia 1º de Baisakh (meados de abril) e segue o calendário solar.
2. Deusa Viva

As Kumaris são consideradas deusas vivas no Nepal. Elas são meninas antes da adolescência, selecionadas por critérios específicos para se tornarem representantes vivas da deusa hindu Taleju, que é venerada no país.
A tradição das Kumaris remonta a séculos e é uma parte importante da cultura e da religião nepalesas. Acredita-se que a seleção da Kumari seja baseada em várias qualidades, como pureza, beleza física e sinais auspiciosos. Uma vez escolhida, a menina é considerada divina, passa por rituais elaborados e é levada para viver no Kumari Ghar, um palácio especial em Kathmandu. Lá, ela é cuidada por uma equipe de guardiões e recebe educação e treinamento religioso. Durante festivais e ocasiões religiosas, a Kumari participa de procissões e cerimônias, onde é vista como uma encarnação divina.
No entanto, quando a Kumari atinge a puberdade, ela deixa de ser considerada divina. Isso ocorre porque acredita-se que a deusa Taleju abandona seu corpo na primeira menstruação. Nesse momento, uma nova menina é escolhida para se tornar a próxima Kumari.
3. Budismo e hinduísmo convivem em harmonia

O budismo tem uma longa história no Nepal e desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento espiritual do país. Siddhartha Gautama, o Buda, nasceu ali e por isso o local é um importante destino de peregrinação para os budistas de todo o mundo. Hoje, cerca de 10% da população nepalesa é budista.
Por outro lado, o hinduísmo é a religião dominante no Nepal, seguida por 80% da população. O país é considerado o único estado hindu oficial do mundo, com o hinduísmo desempenhando um papel central na cultura, tradições e estilo de vida dos nepaleses. Os hindus adoram uma ampla variedade de deuses e deusas, com templos dedicados a várias divindades espalhados por todo o país.
Apesar de serem religiões distintas, o budismo e o hinduísmo no Nepal têm uma relação harmoniosa e interconectada. Há uma influência mútua entre as duas tradições religiosas, com templos e santuários que abrigam tanto divindades hindus quanto budistas. Por exemplo, o templo de Pashupatinath, localizado em Kathmandu, é um dos locais religiosos mais sagrados do hinduísmo, mas também é reverenciado pelos budistas como um importante local de peregrinação.
Muitos festivais celebrados no Nepal também refletem essa convivência harmoniosa entre o budismo e o hinduísmo. Festivais como Dashain, Tihar e Holi são comemorados por pessoas de ambas as religiões, independentemente de sua afiliação religiosa. Essa interação cultural e religiosa cria uma atmosfera de tolerância e respeito mútuo.
4. É lá que está o ponto mais alto do mundo, o Monte Everest

O Monte Everest é a montanha mais alta do mundo e está localizado na Cordilheira do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete (região autônoma da China). No Nepal, o lado sul da montanha é conhecido como Sagarmatha, enquanto no Tibete é chamado de Chomolungma.
Com uma altitude impressionante de 8.848 metros, o Everest atrai alpinistas e aventureiros de todo o mundo em busca do desafio de conquistar seu pico. Além da escalada, há outras atividades populares na região do Everest, como trilhas de caminhada, trekking e visitas a vilarejos sherpa, que proporcionam uma experiência única da cultura local e das tradições do povo nepalês.
5. Buda é nepalês

Sidarta Gautama, conhecido como Buda, nasceu por volta do século VI antes de Cristo, na cidade de Lumbini, que fica no distrito de Rupandehi, no sul do Nepal. Por isso, até hoje a cidade é um local sagrado para os budistas de todo o mundo e é reconhecido como um importante destino de peregrinação.
Buda era de uma família real nepalesa e foi criado em um ambiente de conforto e luxo. No entanto, em sua busca pela verdadeira compreensão da existência humana, ele abandonou sua vida privilegiada e os luxos que tinha no Nepal. Embarcou em uma jornada de ascetismo e meditação e alcançou a iluminação sob a árvore Bodhi, na cidade de Bodh Gaya, na Índia.
Após alcançar a iluminação, Buda começou a ensinar o caminho do meio, que buscava equilibrar os extremos da indulgência sensual e da autonegação. Ele compartilhou seu conhecimento e sabedoria com os discípulos, ensinando os fundamentos centrais do budismo.
6. Bandeira diferenciada

Grande parte das bandeiras de países pelo mundo seguem o formato retangular. Suíça e Vaticano fogem dos retângulos com suas bandeiras quadradas, mas ainda assim mantém o padrão quadrilátero. E você sabe qual a única bandeira fora deste padrão? Sim, a do Nepal.
Ela tem formato geométrico de dois triângulos, um acima do outro, o que faz com que tenha duas pontas. Vermelha, azul e branca, possui dois símbolos: o inferior é o sol e o superior, a lua. Há quem diga que cada flâmula representa uma coisa: as montanhas dos Himalaias, as duas religiões predominantes do país (o Budismo e o Hinduísmo), as duas dinastias predominantes na história nepalesa (Shah e os Ranas), os lemas orgulho e paz… as interpretações são diversas.
7. Um dos poucos países da Ásia que não foi colonizado

Enquanto muitos países asiáticos foram colonizados por potências europeias no período colonial, como a Índia, Indonésia, Mianmar e Sri Lanka, o Nepal conseguiu manter sua independência e integridade territorial. Ao longo da história, o Nepal desenvolveu uma reputação de resistência contra as tentativas de dominação estrangeira. A localização geográfica montanhosa e isolada do país, bem como sua força militar e determinação, contribuíram para a preservação de sua independência.
Durante o auge do Império Britânico na Índia, o Nepal manteve uma política de neutralidade e estabeleceu acordos de tratados com os britânicos para preservar sua independência. Dessa forma, embora tenham tentado estender sua influência ao Nepal, os britânicos foram incapazes de colonizar o país. Sua capacidade de preservar sua independência é uma fonte de orgulho para o Nepal e contribui para sua rica história e identidade cultural.
No entanto, é importante notar que o Nepal não estava totalmente isolado dos eventos históricos e influências externas. Durante o período do Raj Britânico, o Nepal teve que lidar com pressões e influências políticas e econômicas dos britânicos. Também manteve uma relação de vasalagem com a Índia britânica, que concedeu ao Nepal uma autonomia considerável, mas também exigiu certas obrigações e restrições.
